31/12/2009

Saw 6



Titulo Original : Saw 6

Titulo em PT :   Jogos Mortais 6
Titulo em BR





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Parte 1:

Parte 2 :




O terror de Jigsaw voltou a dar as caras com Saw VI. Divulgado como sendo o filme mais violento da série, esta nova produção repete boa parte da fórmula utilizada até aqui – no quesito sanguinolência e gosto por torturas e mortes brutais – ao mesmo tempo em que lança novas luzes sobre o idealizador dos jogos macabros. Deve agradar, por tudo isso, aos fãs de Jigsaw que acompanharam todas as produções até agora. Da minha parte, admito, não assisti a todos os filmes anteriores. Mas até que gostei desta nova produção, especialmente porque ela tenta se aprofundar nas motivações de Jigsaw mais do que simplesmente ocupar o tempo do espectador com novos aparatos de morte.
A HISTÓRIA: Uma mulher desperta com um estranho e pesado aparato metálico preso na cabeça. À sua frente, Eddie (Marty Moreau), seu parceiro em um negócio de agiotagem. Simone (Tanedra Howard) sabe, imediatamente, em que jogo macabro eles estão metidos e, por isso, tenta impedir que Eddie se movimente. Mas em vão. Quando ele levanta da cadeira, uma nova cilada de Jigsaw começa a correr no cronômetro. Com esta introdução cheia de automutilação e sangue o espectador é inserido em mais um conto estrelado por Jigsaw/John (Tobin Bell) que, mesmo morto, continua fazendo as suas vítimas.
VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER – aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só contineu a ler que já assistiu a Saw VI): Serei honesta. Não tenho muita paciência com a série de filmes Saw. Assisti aos dois primeiros, mas depois me cansei. Diferente dos antigos filmes estrelados por Jason Voorhees ou Freddy Krueger que eu gostava de assistir nas sessões de madrugada, Jigsaw é um “astro” dos filmes de terror muito mais sanguinolento e sádico. Um pouco acima do tom, para o meu gosto. Digo isso porque, ao receber a “missão” de assistir a esta sexta produção estrelada pelo “assassino justiceiro”, eu tive que buscar críticas dos filmes anteriores para entender tudo o que se passava. Primeira dica: para entender completamente o que ocorre em Saw VI, só tendo assistido a todas as produções anteriores.
Diferente de outras produções lançadas sobre um mesmo personagem, Saw VI exige que os espectadores estejam bem familiarizados com a história. Do contrário, fica difícil acompanhar o roteiro de Marcus Dunstan e Patrick Melton. Mas, ao mesmo tempo, esta escolha dos produtores da série faz com que o filme não perca tempo explicando o que os fãs já sabem. Quem estava ansioso, por exemplo, para saber o conteúdo da caixa entregue para Jill (Betsy Russell) como herança de John no filme passado, terá a sua curiosidade saciada. (SPOILER – não leia se você não assistiu ao filme). Como era de se esperar, a tal caixa trazia novos alvos para os jogos mortais.
A vítima principal, desta vez, foi William Easton (Peter Outerbridge), vice-presidente da Umbrella Health, uma seguradora que determina quem “vive ou morre” através de uma fórmula que calcula os riscos de cada plano de saúde. Claro que tal fórmula, criada por Easton, sempre privilegia a empresa – nunca o segurado. (SPOILER – não leia… bem, você já sabe). Entre outras “vítimas” da Umbrella Health estava o rico John que, mesmo podendo pagar do próprio bolso o seu tratamento, não se conforma com a política antiética de Easton. Não podendo se vingar em vida, John cuida para que seu alvo passe por longas provações através de outras mãos.
Como ficou evidente no filme anterior, o cúmplice de Jigsaw em seus planos de vingança é o detetive Hoffman (Costas Mandylor). A cena em que ele se livra do agente especial Peter Strahm (Scott Patterson) volta a ser repetida após os créditos iniciais do novo filme. Saw VI, aliás, é cheio de cenas de flashback e de vídeos gravados por John – graças a eles que o personagem se torna tão presente na nova trama. O roteiro de Melton e Dunstan corre, paralelamente, em três direções: nas investigações sobre o novo crime que repete o “modus operandi” de Jigsaw; no novo plano de vingança de John e na revelação de novos detalhes sobre a relação que o protagonista mantinha com Jill e Hoffman.
Em meio a “tanta história”, como é costume nos filmes da grife Saw, o espectador é “brindado” por várias cenas de assassinato e tortura estreladas por diferentes aparatos criados para estes fins. Neste quesito, sobra pouco para ser inventado – afinal, este é o sexto filme que tenta trazer novidade neste sentido. Ainda assim, Saw VI deve agradar aos fãs da grife por suas sequências com jogos mortais e, especialmente, por trazer um roteiro que se aprofunda um pouco mais nas motivações e na “filosofia justiceira” de John Kramer.
Agora, uma pequena reflexão sobre o sucesso da série Saw. Sei que vocês podem comer o meu fígado por isso (não literalmente, eu espero… hehehehehehe), mas acho, honestamente, que a série desperta no público uma certa “saciedade” do gosto pela punição dos aproveitadores, dos que não tem caráter e daqueles todos que não parecem ter um senso mínimo de moral. Pelo menos é isso o que sugere Jigsaw e seu espírito vingador e, ao mesmo tempo, que tenta “despertar o gosto pela vida” de quem parece não ter apreço por ela. Seria a série Saw uma forma das pessoas verem a sua própria necessidade por “justiça” saciada? É uma forma de ver este fenômeno… Ainda que eu ache que é preciso ter um bom gosto mórbido para curtir tantas cenas de violência e mutilação.

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