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| Titulo Original : Sherlock Holmes | ||
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Parte 1:
Parte 2 :
Realizado por Guy Ritchie
Com Robert Downey Jr., Jude Law, Rachel McAdams
Sherlock Holmes e o seu fiel amigo Dr. Watson empenham-se na resolução de um mistério que se prende com os crimes cometidos por Lord Blackwood, os quais envolvem sacrifícios humanos de jovens virgens, magia negra e organizações secretas com ligações à política. Até aqui todos os elementos servem perfeitamente o argumento de um filme protagonizado pelo Sherlock Holmes novecentista que conhecemos da obra de Conan Doyle, contudo nada no filme vai corresponder às expectativas que este argumento e o nosso conhecimento da personagem podiam criar.

Entre os inúmeros aspectos completamente inusitados do filme destaca-se a construção da personagem de Sherlock, aqui interpretada por Robert Downey Jr. O cerebral detective londrino que conhecemos, surge transformado num homem decadente ainda que dotado de uma invulgar capacidade dedutiva, dividido entre paixões com as quais não consegue lidar (a sua possessividade quase homossexual em relação ao amigo Watson (Jude Law) e o desejo pela bela ladra Irene Adler (Rachel McAdams), boxeur aguerrido, adepto de invenções tão bizarras quanto inúteis e talvez tão cocainómano como o autor inglês o concebera. Esta recriação de uma figura de tal modo enraizada no nosso imaginário colectivo, - curiosamente Guy Ritchie também apresenta Sherlock a fumar um cachimbo curvo, o que não é referido em nenhuma das obras de Conan Doyle mas que faz parte da construção da personagem desde a sua interpretação por William Gillette – é muito polémica e pode determinar de forma irremediável a adesão ou não do espectador ao filme. Para além deste aspecto, Ritchie usa e abusa de cenas típicas de filmes de bandidos, como perseguições de cortar a respiração, lutas brutais e viris onde o sangue jorra a rodos, explosões hollywoodescas e momentos de grande adrenalina como o da morte iminente da bela Irene Adler na máquina de cortar carne. Esta faceta de uma virilidade quase infantil do filme é, por vezes, muito bem conseguida pela inteligente utilização do slow motion para nos transmitir os pensamentos absolutamente racionais de Sherlock sobre o modo como vai bater ao adversário, como se esses gestos não fossem complemente instintivos.

Há bastantes momentos divertidos na película conseguidos pela exploração dos recursos já referidos e ainda pela introdução de novas figuras desconhecidas do publico como Mary Morstan (Kelly Reilly) e a sua rivalidade descabida com Sherlock pelo domínio afectivo de Watson ou o inspector Lestrade (Eddie MArsan) também ele rival de Sherlock agora num plano profissional. No entanto, a sensação com que fiquei no final do filme foi que o protagonista tanto se podia chamar Sherlock Holmes como ter outro nome qualquer, funcionando a figura concebida por Doyle apenas como uma referência longínqua. O que fica do filme são as cenas a que Hollywood nos habituou, onde mais que os actores brilham os duplos agora sobre o cenário da Londres vitoriana ainda que filmadas com alguma originalidade pelo realizador.
1 comentários:
Muito bom, gostei do filme em si, misterioso ao mesmo tempo
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